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Para isso é usada uma combinação de pelo menos dois ou três medicamentos (por vezes mais) que bloqueiam diferentes proteínas que o VIH usa neste processo. Esta combinação pode ser tomada num comprimido único que contém vários medicamentos e se toma uma vez por dia, ou em dois ou mais comprimidos por dia, numa ou duas tomas diárias.
– Inibidores Nucleósidos/Nucleótidos da Transcriptase Reversa (INTR);
– Inibidores Não-Nucleósidos da Transcriptase Reversa (INNTR);
– Inibidores da Protease (IP);
– Inibidores da Integrase (II);
– Inibidores dos co-receptores CCR5 (ICCR5).
Existem ainda outras classes em investigação como os inibidores da maturação ou de ligação.
Como todo e qualquer medicamento, também a TAR pode causar efeitos secundários, os quais variam muito de pessoa para pessoa. Para além do que as pessoas a tomar TAR podem sentir, são feitas regularmente análises aos rins e ao fígado para vigiar efeitos que possam surgir nestes órgãos.
Quando Iniciar o Tratamento
Antigamente, o tratamento tinha início quando as pessoas tinham contagem de células CD4 abaixo de 350 por μL de sangue.
O médico e os profissionais de saúde poderão responder a qualquer questão sobre o tratamento e ajudar a integrar o mesmo na sua rotina.
O estudo START, Strategic Timing of Anti-Retroviral Treatment, em português, Momento Estratégico de Tratamento Antirretroviral, pode ser consultado em: http://giv.org.br/Arquivo/O_Estudo_START.pdf
Adesão à Terapêutica
“adesão [é] o grau em que o comportamento de uma pessoa é representado pela ingestão de medicação, o seguimento de dieta, mudanças no estilo de vida que correspondem e se adequam com as recomendações de um médico ou outro profissional de saúde.” (OMS)
Estima-se que se 5 % das tomas dos medicamentos não for realizada, o sucesso do tratamento pode ficar comprometido.
– Colocar alarmes no telemóvel, usar aplicações (app);
– Inserir a toma em rotinas já existentes: tomar à mesma hora que outras terapias, refeições, ao acordar, ao deitar;
– Pedir a um familiar ou amigo que o ajude a lembrar;
– Colocar um lembrete na agenda pessoal todos os dias;
– Andar sempre com uma toma na mala.
– Tomar a TAR assim que se lembrar desde que não esteja muito perto da próxima toma (+/- 8 horas);
– Se estiver próximo da toma seguinte, tomar a toma normal e não duplicar dose.
– Levar na bagagem de mão a TAR para evitar extravios de bagagem;
– Levar sempre medicação para mais 2-3 dias;
– Pedir uma declaração ao médico para transporte de medicação crónica;
– Em viagens longas pedir com antecedência à farmácia hospitalar a medicação suficiente para a viagem;
– Adaptar ao fuso horário do país de destino, começando a atrasar ou adiantar a toma da medicação 1 hora todos os dias;
– Se viajar na Europa, tenha consigo o Cartão Europeu de Saúde.
– Quando a TAR tem de ser tomada com comida, andar sempre com chocolates ou outro alimento de fácil transporte e calórico;
– Caso por engano tome duas vezes a medicação, esteja atento a possíveis sintomas não frequentes. Se se sentir mal, dirija-se a uma urgência. Beba muita água;
– Organize a medicação por caixas/tomas;
– Comece as caixas de medicação no dia 1 do mês.
Efeitos Secundários
Os efeitos secundários mais comuns são a curto prazo e podem frequentemente, ser controlados através de medicamentos.
– Diarreia;
– Mal-estar;
– Cansaço;
– Perturbações do sono.
Após poucas semanas, estes efeitos secundários geralmente desaparecem.
– Alterações ao nível da função hepática, renal e ossos;
– Colesterol, glicose;
– Doença cardíaca, diabetes, hipertensão ou AVC;
– Alterações na forma corporal (perda ou ganho de gordura em locais específicos). Hoje em dia são menos frequentes do que no passado pois os medicamentos mais recentes produzem menos estas alterações.
Resistências à Terapêutica
A toma regular faz com que haja sempre medicação em circulação em quantidade suficiente para poder bloquear o vírus e reduzir ou manter indetetável a carga viral. Só uma boa adesão garante que isto possa acontecer.
Uma má adesão (com interrupções, falhas ou esquecimentos) pode levar a resistências que tornam a TAR ineficaz. Por outro lado, mesmo após se ter carga viral indetetável, parar a TAR permite que o vírus latente (adormecido) que ficou disseminado nos santuários do organismo onde a medicação não atua, seja reativado (acorde) e se reproduza novamente fazendo subir a carga viral.
Interação com Outros Medicamentos
Alguns medicamentos para reduzir o ácido do estômago (ex: omeprazol), fazem com que alguns medicamentos antiretrovirais (ex: atazanavir) deixem de ser ativos a combater o VIH.
Uma boa fonte de informação sobre eventuais interações entre medicamentos é o site https://www.hiv-druginteractions.org da Universidade de Liverpool.
Interação com Outras Substâncias (álcool, tabaco, drogas)
No entanto, se este consumo for excessivo pode alterar os efeitos da medicação, o seu sucesso no controle da infeção e aumentar os efeitos secundários da medicação.
Quanto ao tabaco, muitos são os estudos que nos mostram o aumento dos riscos do tabaco em pessoas que vivem com o VIH. Da mesma forma, o risco de alguns cancros está aumentado nas pessoas com infeção VIH, pelo que o tabaco representa um aumento deste risco.
As drogas recreativas apresentam riscos semelhantes aos da população em geral, com a agravante do uso de material injetável não esterilizado poder transmitir outras estirpes do vírus a uma pessoa já infetada, tornando-a mais difícil de se tratar.
Por outro lado, o uso de anfetaminas, MDMA ou cocaína representa um risco de doença cardíaca a somar ao risco aumentado já causado pelo VIH.
Os esteroides anabolizantes são utilizados por alguns desportistas e body- builders para produzirem ganhos rápidos de massa muscular e aumento da resistência ao esforço.
Estes compostos podem ter efeitos secundários graves sobretudo danificando o fígado como acontece nas hepatites ou provocando anomalias ao nível das hormonas sexuais, como atrofia dos testículos ou disfunção eréctil.
Cura para a infeção VIH
À medida que se conhecem mais dados sobre este complexo vírus e a sua interação com o ser humano, maiores são as hipóteses de um dia se poder chegar a uma cura.
O que está disponível é um tratamento antirretroviral eficaz para o controlo da infeção, que limita os danos provocados pela mesma, embora não elimine o vírus do organismo.
