Principais Conceitos
Existem dois tipos, o VIH-1 e o VIH-2, sendo que o primeiro é dominante na maior parte do mundo e o segundo é responsável por uma minoria de infeções nalguns países da África Ocidental e Europa.
A SIDA ocorre quando a infeção VIH não é tratada e é caracterizada pelo aparecimento de uma ou mais doenças indicadoras/oportunistas.
A carga viral mede a quantidade de VIH presente numa gota de sangue. Deve se ter a menor quantidade possível de VIH.
As células CD4 são das células mais importantes do sistema imunitário. O nosso sistema imunitário protege-nos contra infeções e outras doenças. A contagem das células CD4, permite saber em que estado está o sistema imunitário de uma pessoa.
Assim:
• Quando a contagem das células CD4 é alta, a carga viral é normalmente baixa. Esta situação é boa =)
• Quando a contagem das células CD4 é baixa, a carga viral é normalmente alta. Esta situação não é boa =(
O resultado do tratamento deve ser a descida da carga viral até um valor indetetável, o que significa que a infeção VIH está controlada. Esta descida da carga viral permite que o número de células CD4 se mantenha normal ou suba caso esteja reduzido.
Quando a quantidade de VIH é muito baixa, a carga viral pode ser indetectável, isto significa que a quantidade de VIH é tão pequena na amostra de sangue que o teste não o consegue medir.
Não significa que o VIH tenha desaparecido do organismo, pois quase sempre estará presente noutras partes do corpo.
A infeção VIH, como infeção crónica, tem um tratamento eficaz. A medicação (Terapêutica Antirretroviral) ao atuar vai combater o vírus e impedir que este ataque o sistema imunitário que assim conseguirá combater infeções e outras doenças.
O tratamento é assegurado na consulta de Infeciologia ou Medicina Interna e é gratuito para todas as pessoas. Dependendo do hospital, as pessoas podem levantar medicação para 1 a 3 meses.
O que significa estar sob tratamento antirretroviral:
• Diminuir a carga viral, até se chegar a ter carga viral indetectável;
• Tomas diárias (composta por um ou mais comprimidos, 1x ao dia ou mais);
• As análises regulares ao sangue mostram quão saudável está o sistema imunitário e se a medicação está a ser eficaz;
• Realizar consultas de seguimento (a média será 1 a 2 consultas por ano);
• Estar sob tratamento previne danos futuros no sistema imunitário e por isso há um menor risco de se adoecer.
Às infeções que “aproveitam” a fraqueza do sistema imunitário causada pelo VIH chamam-se infeções oportunistas.
Se uma pessoa infetada pelo VIH, estiver sem tratamento, o sistema imunitário poderá não conseguir proteger eficazmente o organismo de infeções causadas pelos agentes infeciosos.
Quando o diagnóstico só é feito tarde, a infeção VIH estará no organismo há demasiado tempo e pode já ter causado alguma doença grave, tornando-se mais difícil de tratar.
Existe uma hierarquia de risco de transmissão associada a diferentes práticas sexuais:
• Sexo anal desprotegido é a prática com risco mais elevado para o VIH;
• Sexo vaginal desprotegido é uma prática de risco para o VIH;
• Sexo oral sem ejaculação na boca é uma prática de risco baixo para o VIH;
• A masturbação não apresenta risco para o VIH, desde que a pele se encontre sem feridas.
Números
• 76.1 milhões é a estimativa de pessoas infetadas desde o início da epidemia;
• 36.7 milhões de pessoas vivem com a infeção VIH no mundo em 2016;
• Estima-se que 30% não saiba que tem o vírus;
• 1.8 milhões de novos casos da infeção VIH em 2016;
• 19.5 milhões de pessoas estão em tratamento antirretroviral;
• Na Europa, estima-se que 15% das pessoas que vivem com VIH não se encontram diagnosticadas – 1 em cada 7 não sabe que está infetada;
• Em Portugal, estimam-se que 44.176 vivam com a infeção VIH em 2016;
• 841 novos casos de infeção por VIH;
• 57% transmissão heterossexual;
• 35% transmissão entre homens que tem sexo com homens;
• 161 casos de SIDA.
Coinfecções
Transmite-se sobretudo por contacto com sangue, mas também por contacto com esperma, secreções vaginais e saliva, sobretudo durante as primeiras 24 semanas (infeção aguda).
As práticas que podem transmitir VHB são:
• Transmissão mãe-bebé, durante o parto;
• Partilha de material para injetar drogas;
• Lesão com material corto-perfurante usado por pessoas com infeção;
• Práticas sexuais sem uso de preservativo;
• Partilha de material que possa conter sangue, tais como escovas de dentes ou lâminas de barbear.
O tratamento é crónico, realizado com uma combinação de medicamentos ativos contra este vírus.
Previne-se através de três doses de vacina contra o VHB. A prevenção também se faz evitando partilhar material que possa conter sangue ou saliva, tais como lâminas de barbear e escovas de dentes e material de consumos, usando luvas quando se utiliza material corto-perfurante em pessoas com infeção, usando preservativo durante o sexo oral, vaginal e anal.
A Hepatite C é uma infeção viral que provoca a inflamação aguda no fígado a que se chama hepatite. Quando não tratada pode originar o desenvolvimento de nódulos fibrosos (cirrose) ou cancro (carcinoma hepatocelular), assim como doenças dos rins ou articulações.
Transmite-se sobretudo por contacto com sangue contaminado por:
• Partilha de material para injetar drogas;
• Partilha de palhinha ou tubo para snifar drogas;
• Práticas de sexo anal (penetração ou fisting com presença de sangue) sem uso de preservativo;
• Práticas sexuais sem uso de preservativo com parceiro com VHC;
• Partilha de material de punção para tatuagens ou piercings;
• Partilha de material que possa conter sangue, tais como escovas de dentes ou lâminas de barbear.
O tratamento com cura faz-se através de uma combinação de medicamentos ativos contra este vírus e tem duração variável, geralmente 3 a 6 meses, tendo em conta o genótipo e a existência de coinfecção com o VIH;
Não existe vacina disponível para esta hepatite e previne-se através da não partilha de agulhas e tubos nos consumos de drogas, objetos de uso pessoal cortantes e preservativo nas práticas de sexo anal e luva de latex nas práticas de fisting.
Para saber mais sobre “VIH e Hepatites” consultar: http://www.gatportugal.org/public/uploads/publicacoes/brochuras/hepatitis_POR_FINAL.pdf
Ou ainda o Guia de Hepatite C para pessoas que vivem com VIH: http://www.gatportugal.org/public/uploads/publicacoes/brochuras/Guia%20Hepatite%20C%2 0-%20Pessoas%20que%20Vivem%20com%20VIH.pdf
Gravidez
• Muitas mulheres que vivem com o VIH engravidam sem que ocorra transmissão da infeção ao bebé;
• Tomar a medicação antirretroviral durante a gravidez protege o feto, impedindo a transmissão do VIH;
• A cesariana é o procedimento mais seguro mas é possível planear o parto vaginal sem riscos;
• A amamentação não está recomendada, mas sim o uso de biberon com leite não materno;
• Após o parto e durante algumas semanas, o bebé precisará de tomar medicação antirretroviral;
• Quando estas indicações são seguidas, apenas cerca de 1 em 100 bebés nasce com infeção VIH.
Pode consultar mais informação aqui: http://www.gatportugal.org/public/uploads/publicacoes/brochuras/03Gravidez_FINAL_site.pdf
Envelhecimento
• A terapêutica antirretroviral (TAR) permite que as pessoas que vivem com VIH envelheçam de forma saudável;
• Algumas pessoas experimentam efeitos do tratamento a longo prazo e envelhecer com VIH pode aumentar o aparecimento de algumas doenças associadas à idade;
• A investigação tem demonstrado que a infeção VIH leva o sistema imunitário e alguns órgãos em particular a envelhecer mais rápido do que o habitual. Tal acontece sobretudo porque o vírus causa no sistema imunitário uma inflamação constante;
• É importante manter contato regular com o seu médico para análises/exames de rotina e para conversar sobre as suas preocupações;
• Envelhecer com VIH tem impacto na sua saúde, mas há muitas coisas que pode fazer para cuidar de si.
